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Em áreas ligadas à economia criativa, ousadia não tem limites. Mas, dizem especialistas, fora delas, é preciso calcular os riscos

RIO — Como se destacar na busca por emprego em um mercado altamente competitivo? Candidatos estão encontrando formas inusitadas de enviar seus currículos para evitar que passem despercebidos por recrutadores. Escrever as habilidades e características profissionais em garrafa de cerveja, barra de chocolate e até copo de café são algumas das estratégias já adotadas para chamar a atenção das empresas.

O curitibano Henrique Murate, por exemplo, criou um boneco que é uma réplica dele mesmo e escreveu suas informações na embalagem do produto. Em pouco tempo, diversas agências publicitárias — para onde enviou o “currículo” — o convidaram para conversar.

— Eles me chamaram especificamente por causa do boneco. Disseram que gostaram da forma que escolhi para buscar a vaga e ficaram curiosos em me conhecer — conta Murate.

Apesar de ainda não ter uma resposta definitiva, Murate já tem outras entrevistas agendadas para o próximo mês. A estratégia dele, segundo Mariana Cottini, sócia da SBCoaching, funciona por estar focada em agências que visam à criatividade como diferencial. Mas a especialista afirma que é preciso ficar de olho no perfil do recrutador antes de montar um currículo diferente:

— Não adianta você ter um abordagem muito criativa para segmentos mais tradicionais, como os de direito ou engenharia, onde o que conta não é exatamente a criação inusitada, mas, por exemplo, a objetividade e a assertividade. E claro, não se pode deixar de lado as principais informações, habilidades, conhecimentos e experiência, que serão os diferenciais efetivos.

NADA SUBSTITUI A ELOQUÊNCIA NA ENTREVISTA

E, continua Mariana, de nada adianta um currículo criativo e diferente se, na hora da entrevista, o interessado não conseguir explorar suas qualidades e habilidades interpessoais:

— É uma abordagem interessante, sim, mas só em um primeiro momento. Nada vai substituir o contato pessoal, a eloquência, a forma como o candidato se mostra na entrevista.

O designer inglês Jon Ryder tinha certeza que se sairia bem nas entrevistas. Mas achava difícil ser notado na pilha de currículos que se acumulam na mesa dos recrutadores. Foi aí que ele decidiu escrever suas características profissionais na bula de um medicamento fictício:

— Acho que não só é uma maneira diferenciada de se destacar, mas mostra uma habilidade técnica da minha área, que é o design gráfico.

Graças ao seu medicamento, está empregado e chegou a receber propostas da Austrália.

— Sabemos como é difícil ser ouvido. Currículos diferentes são, no fundo, uma ótima forma de se vender, principalmente se o candidato conseguir mostrar características pessoais em sintonia com a empresa desejada — diz Mariana.

O americano Matthew Hirsch percebeu que seu nome se assemelhava a uma famosa marca de chocolates e resolveu usar a coincidência a seu favor: criou barras da guloseima e distribuiu para diversas empresas.

Para André Borges, gerente da empresa de recrutamento Page Personnel, a área de atuação do candidato (ilustração), reforça a ideia de que, para agradar o recrutador com ideias inusitadas, é preciso analisar o perfil da companhia.

— Este tipo de aproximação pode ser um tiro no pé em algumas setores. O que vale, de fato, é estudar o as empresas com cuidado e, claro, não esquecer de usar o velho bom senso.

Fonte: http://glo.bo/1wVm5h1